Deixa ficar subentendido...
Olá!
Na maioria das vezes sinto-me monologando ao escrever aqui. Esse poderia ser um motivo para fazer deste espaço um diário, abrir-me mais, uma espécie de auto-terapia (sem resolução terapêutica de fato, só o alívio do desabafo), mas prefiro alugar aos que estão por perto, seus ouvidos e paciência. Durante muito tempo tive muito o que dizer... e se petguntarem ainda tenho... sempre tenho... mas pareceu que abateu-se sobre mim uma amnésia que me fazia contar de novo a mesma história, repetidas vezes. E pior, com os mesmos atores, chatos, amadores, de péssima classe. Aos poucos a necessidade de contar uma história (ou A história) se transmutou em ocorrência de novos fatos, vivenciados ou propositalmente forjados para camuflar o que realmente se põe a ponta da língua. O processo é lento e gradual, mas hoje tenho mais histórias! Boas, ruins, interessantes, sem-graças... algumas peguei emprestado, outras inventei utilizando toda a minha capacidade criativa que nem sabia q havia, e ainda há as que se processam todos os dias, enquanto vivo, desfruto de momentos, percebo coisas... Essas são sempre as melhores. E a elas que desejo.
Pareceu-te sem sentido o que escrevi? Até a mim pareceu! Mas no fundo, bem no fundo, nada faz sentido mesmo... Mas há de haver quem entenda. E sei que entende o que digo... A essa pessoa, meu muito obrigada e congratulações pelo empenho e perspicácia.
Um belíssimo texto da maravilhosa amineirada poetisa, uma das minhas favoritas:
Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não tão feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
— dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável.
Eu sou.
(Adélia Prado)
Escrito por às 00h45
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