Hoje venho até este espaço para falar um pouco de uma questão séria que entrou em pauta pela brutalidade com que foi morto o pequeno João Hélio. Vamos a ela:
Maioridade penal, ressocialização, direito da família da vítima, segurança pública...
Quando nos deparamos com um fato de tamanha amplitude como este que me refiro, sempre nos indignamos e se somos chamados a opinar, fazemos com o coração e nunca com a razão.
Sabemos que o cerne de todo o problema da segurança pública falida do nosso Estado (latu senso) anda lado a lado com a má distribuição de rendas e oportunidades para as famílias brasileiras. Os jovens, principalmente da periferia das grandes cidades são sempre excluídos das agendas sócio-educativas, cultural e de trabalho que é oferecida a jovens de lugares menos periféricos. E mais, são resignados a permanecerem no estado de marginalidade, que tende a se agravar conforme agravam-se as condições de vida da população em geral, fruto logicamente da condução das políticas dos últimos governos.
Se nós perguntarmos a um engenheiro o que é mais essencial para que um prédio não caia, ele dirá que as “sapatas”, as vigas de sustentação, devem ser bem sólidas e estruturadas. É verdadeiro da mesma, forma que para termos uma sociedade menos violenta – porque não só bandidos e infratores juvenis são violentos pois banqueiros são violentos, a mídia é violenta, as grandes empresas são violentas -, mais educada, mais compreensível, é preciso mudar na base, no berço. Deve ser inserido no embrião do cidadão (que começa a ser formado no jardim 1 ou mesmo na creche) os valores morais, os valores do trabalho, coisas que pra mim ou pra você que lê esse “blog” parecem simples mas, com certeza, não é para pessoas menos instruídas.
E qual é a maior reflexão que tiramos do caso João Hélio? Pra mim é o grau exacerbado de caos em que a sociedade brasileira chegou, na qual já não mais a violência denota que algo está fora da ordem, mas a crueldade ganha espaço e não poupa nem crianças, nem ninguém. Como dito no início, poderíamos fazer um discurso objetivo, com concreticidade e racional o bastante capaz de conter análises estatísticas e dados empíricos que expliquem a violência e a crueldade atual. Mas o coração nessas horas fala mais alto e dói ao repassar na mente a cena da tortura de uma criança de apenas 6 anos. Poderia ser da sua, da minha família, e na verdade foi. Foi da família dos que estão cansados de tamanha covardia, de tanta violência, da barbárie instaurada. Não está ao nosso alcance o freio pra isso tudo mas podemos, como seres críticos e conscientes dos direitos que temos, como o direito a vida, contribuir para que, os que devem acabar com isso, o façam o mais rápido possível, a longo, médio, e curto prazo.
*Texto de RdC e Giza