A paz que você me dá

Àquele que tanto me faz bem, merece retribuição não só em palavras...

 

Se ainda hoje me fecho

é por não saber de mim

mas ao cair em teus braços

descobri meu lado mais doce,

que o silêncio as vezes fala,

que dois olhos podem se enamorar antes que duas bocas

e que carinho é mais que um beijo

Quando me fecho

suas mãos me abrem um mundo novo

que causa medo pela paz que carrega

Nelas quero perder-me quando me acariciam a face

e pousam nas minhas

Se fechar os olhos, ainda sinto os teus

Você respirando a minha boca

Todo teu rosto a me arranhar

E tudo isso chamo de paz

É ela que quero que sintas comigo

Quero dar-te aquilo que te falta

Aquilo que sobra em mim

E até o que nem possuo mas posso inventar.

As vezes, quando te descuidas

Volto a fechar-me

Quando me descuido abro brechas

Passa pouco tempo e a paz me procura

A paz que veio quando seu caminho cruzou a minha estrada

E em alguns instantes sinto luz

A mesma que sai dos teus olhos quando estamos juntos

Se ainda hoje me fecho

É porque, tonta, não atento que é pra ti que devo abrir-me.

(Gi)

Escrito por Gi às 11h30
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

Se a vida me der...

Se a vida me der tempo
Prometo não mais perder o domingo dormindo
Nem o pôr do sol do verão no Arpoador
Se a vida me der espaço
Prometo plantar um jardim com orquídeas
Girassois e bromélias
Alguma rede bem grande e uma palmeira pra abraçar
Se a vida me der paciência
Ouvirei atenta os conselhos de minha mãe
As broncas do papai e as queixas dos idosos
Não rasgarei embalagens nem atirarei lixo nas calçadas
Se a vida me der saúde
Eu pularei de paraquédas, saltarei de asa delta
comerei hambúrger no almoço e jantar
e nunca mais beberei chá de boldo
Se a vida me der bom humor
Abrirei a janela pra deixar o sol entrar
Serei educado com o chato do meu porteiro
Brincarei no parque com as crianças
Se a vida me der sossego
Não lerei mais jornal,
não andarei com os vidros do carro fechados
E não chorarei mas com a criança de mão estendida
Se a vida me der amigos
Farei uma festa no sábado
Rirei de qualquer besteira
E chorarei sem motivo no ombro do mais querido
Se a vida me der um amor
Não prometo nada
Porque nesses casos a gente nunca cumpre...

Escrito por Gi às 16h18
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

Traçando caminhos

De quando eu quando, de vez em vez, sinto no dever de sinalizar minha existência neste espaço desabitado. Mais do que me expôr, sinto-me compelida a respirar por aqui para manter viva esta página e alimentá-la de gás carbônico. Deixo então meu sinal de vida alterada...

A cada quatro sonhos errantes
teço os lençóis do meu futuro
Desejos incompletos de felicidade e paixão
Trajetos fortuitos de boaventura
Amigos incontestes de vida risonha
Crianças sorridentes com fisionomia familiar
Manhãs azuis
Tardes vermelhas
Noites prateadas
Passeio na calçada de mãos espalmadas
E ao fundo o Rio dança ao som de Tom
Enquanto canto seu beijo me cala.
(2008)

Escrito por Gi às 01h36
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

Meu lado mais egoísta...

Manifesto meu lado mais egoísta pois hoje não me importo com a dor dos outros... só por hoje não quero saber do sofrimento alheio, as desilusões dos que me cercam, das alegrias do companheiros.
Hoje eu sou minha e só minha. Porque hoje estou feliz. Como diz a canção, hoje sou mais sincera e mais justa comigo... A nuvem escuro passou, as chuvas cessaram e as poças secaram com os sorpos que dei.
Trago dia claro, trago sorriso de dentes claros, trago meu coração acelerado de felicidade.
O carnaval acabou, a vida segue mais iluminada.
Bon sinais, boas vibrações eu sinto.
Creceu o respeito e a fé em mim mesma.
Conquistei muita coisa, outras tantas me conquistaram
Hoje estou de peito aberto e, com segurança da palavra, FELIZ!!!

Escrito por Gi às 23h33
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

Deixa ficar subentendido...

Olá!

Na maioria das vezes sinto-me monologando ao escrever aqui. Esse poderia ser um motivo para fazer deste espaço um diário, abrir-me mais, uma espécie de auto-terapia (sem resolução terapêutica de fato, só o alívio do desabafo), mas prefiro alugar aos que estão por perto, seus ouvidos e paciência. Durante muito tempo tive muito o que dizer... e se petguntarem ainda tenho... sempre tenho... mas pareceu que abateu-se sobre mim uma amnésia que me fazia contar de novo a mesma história, repetidas vezes. E pior, com os mesmos atores, chatos, amadores, de péssima classe. Aos poucos a necessidade de contar uma história (ou A história) se transmutou em ocorrência de novos fatos, vivenciados ou propositalmente forjados para camuflar o que realmente se põe a ponta da língua. O processo é lento e gradual, mas hoje tenho mais histórias! Boas, ruins, interessantes, sem-graças... algumas peguei emprestado, outras inventei utilizando toda a minha capacidade criativa que nem sabia q havia, e ainda há as que se processam todos os dias, enquanto vivo, desfruto de momentos, percebo coisas... Essas são sempre as melhores. E a elas que desejo.

Pareceu-te sem sentido o que escrevi? Até a mim pareceu! Mas no fundo, bem no fundo, nada faz sentido mesmo... Mas há de haver quem entenda. E sei que entende o que digo... A essa pessoa, meu muito obrigada e congratulações pelo empenho e perspicácia.

Um belíssimo texto da maravilhosa amineirada poetisa, uma das minhas favoritas:

Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não tão feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
— dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável.
Eu sou.

(Adélia Prado)

Escrito por Gi às 00h45
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

Soprando

Lembrando-me de um samba (Já fui uma brasa) que tem sido constantemente tocado em todos os aparelhos de aúdio da minha casa, composição do grande Adoniran Barbosa, belamente interpretado pelo grupo Casuarina (do qual tenho me tornado fã no últimos tempos), voltei pra soprar a brasa para ascendê-la novamente.

Com o tempo, estou ficando mais desenibida para postar aqui o que escrevo, antes tão secretamente guardado no hard disck do meu computador... Acho que a ausência de platéia facilita... rsrsrs

Até a próxima!

 

Minha alma é vasta

Corre campos, ultrapassa limites geográficos

Percorre mundos e seres inabitados de sentimento

Peço que a entenda, dê a ela momentos de repouso

Instantes de euforia, alimento de felicidade

Composto por ingredientes simples

Mantimentos facilmente encontrados na dispensa de qualquer outra alma

Cuide dela como um pai zeloso, como um amante devotado

Com afinco e entusiasmo nos dias em que há vida no mundo

Prenda-a se é o que a apraz

Solte-a quando sentir sua liberdade suplicar

Leia as palavras escritas à tinta subliminar

Surpreenda-a quando não houver motivo algum

Nunca busque motivos, simplesmente faça!

Pois a alma não tem razão de ser

Foi criada pra não sentido

Mas sentimento

(2007)

 

Escrito por Gi às 00h45
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

Ausência...

Tentarei explicar minha ausência em outro momento... se houver necessidade de fazê-lo. Por enquanto prefiro o silêncio das horas do momentos difíceis e da vida sem tempo (juro que já ouvi essa frase...) e deixo aqui uma bélissima canção que estava perdida entre uns cds lá em casa, na voz da querida Leila Pinheiro. Perfeita a intérprete e a música...

Bom Humor

Composição: Guilherme Arantes

Não devo chorar
Se no fundo eu sei que vou
Sobreviver
Logo mais eu estarei
A sorrir
A cantar um samba que farei
Pra me aquecer
Com bom humor a noite fria
Não vou me culpar
Das armadilhas que eu caí
Nada é em vão
A vida vai prevalecer
Seja o que for
Importante é não deixar morrer
De inanição
Um sentimento, a alegria
Se quer saber
Não é bom guardar rancor
Penso no amor
Que é barato e só faz bem
Faz crescer
Fez de mim um amador poeta
Apaixonado
Só me encheu de fantasia
Talvez um dia a gente vá entender
Que o que aconteceu entre nós
Foi lindo
É na saudade que se dá valor
Mas só vamos aprender
Vivendo

Escrito por Gi às 09h05
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

Pra não dizer que não falei de... nada...

Olá amigos distantes e raros. Como havia proclamado, não tenho encontrado muito tempo para postar pra vocês, o que não é novidade. Mas eis um sinal de vida dado pela minha pessoa, que consiste em dois poeminhas: um do Mario Quintana, o qual não sei o nome, mas tenho bastante apego; o segundo, uma sandice ou inutilidade escrita por minha pessoa num dos momentos de devaneio, sempre muito frequentes rsrsrs.
No mais é só! Ainda não desenvolvi um meio eficaz de divulgação deste espaço e custa muito caro o marketing nos grandes sites, portanto minha segurança quanto ao que posto aqui é a de que raríssimos serão seus leitores, mas igualmente fieis e queridos. Aos que, por ventura, caírem de para-quedas nesta ante-sala, perdoem, ela não sabe o que escreve ahahahahaha
Beijos a todos!
 
 
Os poetas não são azuis nem nada,
como pensam alguns supersticiosos
nem sujeitos a ataques súbitos de levitação.
O de que eles mais gostam é estar em silêncio,
um silêncio que subjaz a quaisquer escapes
motorísticos e declamatórios.
Um slêncio...
Este impossível silêncio
em que escrevo e em que me lês.
(Mario Quintana)

Se não cabem palavras,
que caibam carícias
que mereçam gestos e sons
toques e risos.
Que inundem suores e ardam calores.
Pois a boca, se não fala,
cala o que o corpo transborda,
o que nele não cabe
de pequeno seu espaço
de grande seu sentido.
(2007)

Escrito por Gi às 09h59
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

Olá queridos (s?) visitantes do meu humilde blog. Passei pra comunicar que com a volta as aulas encontrei a desculpa perfeita pra me ausentar um pouquinho (mas só um pouquinho) desse espaço. Há inúmeros assuntos a tratar e uma gama de temas, principalmente subjetivos, que adoraria abordar mas preciso de um pouco de tempo para minha monografia que a partir de hoje entra em andamento. O que não impossibilita minha eventual produção e publicação para este blog. Mas caso me faltem assuntos (ou melhor paciência...) ou tempo, postarei aqui alguma coisa de um outro blogueiro muito competente e aplicado. Embora haja divergências em alguns aspectos (principalmente do ponto de vista teórico e político), é importante trabalharmos com a diversidade de pensamento para o enriquecimento pessoal e profissional, crítico e construtivo. Portanto, ele agora também se tornará um pouco dono desse espaço com a minha licença, permissão e exigência rsrs.

Bjs a todos e a ele.

Escrito por Gi às 14h15
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

Ele e Eu

As duas bocas unidas mal sabem o poder daquele beijo.
Quando se tocam se afastam do mundo, se elevam a outra dimesão
qualquer, mais pura e bela. E de repente vagueiam pelo ar, alheias a
tudo que seja humano e concreto, a tudo que parece simples e correto.
Do beijo produz-se o aroma que perfuma o ambiente, a fumaça que embaça
as retinas, a canção que se ouve de longe. É concentrado nele mesmo, é
cheio de existência, como se não dependesse mais dos dois corpos. É um
ser altivo, preciso e decidido, que caminha em direção ao que o espera
no fim da estrada, não tem certeza do que lá encontrará, mas sabe que
lá é seu destino. Ele não foge, ele não teme, não exita. Ele vai, e os
dois corpos são apenas ferramentas que dão vida ao que já existia
antes de ser.
(2007)

Escrito por Gi às 20h42
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

QUERERES

Tenho pensado em tudo que quero
Quero o mundo e o quero inteiro
Quero sabor de chocolate
E quero vidro embaçado
Quero correr atrás de borboleta
E voar com ela pelos vales
Quero cheiro de chuva no mês de janeiro
Quero bicho com asa na janela do quarto
Quero três suspiros apaixonados
Quero odor de percevejo
Quero fruta colhida do pé
Quero árvore de tronco largo
Quero aquele abraço bem apertado
E ser calada num beijo
Quero rede na varanda
Quero palavras de carinho
Quero canto de passarinho
Quero pular atrás da banda
Quero um soneto e um riso bem alto
Um beijo jogado de longe
Quero água pura de qualquer fonte
E coração sobressaltado
Quero coragem e um pouco de medo
Pra enfrentar dor e aventura
Um olhar cheio de ternura
Um colo pra chamar de meu aconchego
Quero praia, onda e areia
Choro, vela e brisa
Vento no rosto, suor na camisa
Quero mão que me despenteia
Quero flor no cabelo e outro adereço
Quero um cheiro no pescoço
E por querer tudo tanto e tão pouco
Eu nunca saberei se mereço
(2007)

Escrito por Gi às 10h57
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

Caso João Hélio (À 4 mãos*)

Hoje venho até este espaço para falar um pouco de uma questão séria que entrou em pauta pela brutalidade com que foi morto o pequeno João Hélio. Vamos a ela:

Maioridade penal, ressocialização, direito da família da vítima, segurança pública...

Quando nos deparamos com um fato de tamanha amplitude como este que me refiro, sempre nos indignamos e se somos chamados a opinar, fazemos com o coração e nunca com a razão.

Sabemos que o cerne de todo o problema da segurança pública falida do nosso Estado (latu senso) anda lado a lado com a má distribuição de rendas e oportunidades para as famílias brasileiras. Os jovens, principalmente da periferia das grandes cidades são sempre excluídos das agendas sócio-educativas, cultural e de trabalho que é oferecida a jovens de lugares menos periféricos. E mais, são resignados a permanecerem no estado de marginalidade, que tende a se agravar conforme agravam-se as condições de vida da população em geral, fruto logicamente da condução das políticas dos últimos governos.

 

Se nós perguntarmos a um engenheiro o que é mais essencial para que um prédio não caia, ele dirá que as “sapatas”, as vigas de sustentação, devem ser bem sólidas e estruturadas. É verdadeiro da mesma, forma que para termos uma sociedade menos violenta – porque não só bandidos e infratores juvenis são violentos pois banqueiros são violentos, a mídia é violenta, as grandes empresas são violentas -, mais educada, mais compreensível, é preciso mudar na base, no berço. Deve ser inserido no embrião do cidadão (que começa a ser formado no jardim 1 ou mesmo na creche) os valores morais, os valores do trabalho, coisas que pra mim ou pra você que lê esse “blog” parecem simples mas, com certeza, não é para pessoas menos instruídas.

E qual é a maior reflexão que tiramos do caso João Hélio? Pra mim é o grau exacerbado de caos em que a sociedade brasileira chegou, na qual já não mais a violência denota que algo está fora da ordem, mas a crueldade ganha espaço e não poupa nem crianças, nem ninguém. Como dito no início, poderíamos fazer um discurso objetivo, com concreticidade e racional o bastante capaz de conter análises estatísticas e dados empíricos que expliquem a violência e a crueldade atual. Mas o coração nessas horas fala mais alto e dói ao repassar na mente a cena da tortura de uma criança de apenas 6 anos. Poderia ser da sua, da minha família, e na verdade foi. Foi da família dos que estão cansados de tamanha covardia, de tanta violência, da barbárie instaurada. Não está ao nosso alcance o freio pra isso tudo mas podemos, como seres críticos e conscientes dos direitos que temos, como o direito a vida, contribuir para que, os que devem acabar com isso, o façam o mais rápido possível, a longo, médio, e curto prazo.

*Texto de RdC e Giza

Escrito por Gi às 14h18
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

Pessoa pra pessoa!

Olá pessoas! Vim atualizar o blog, o que tenho feito agora com mais frequência, mas por não saber o que escrever e rejeitar hoje colocar aqui algo de minha autoria, resolvi postar esse lindo, sensível e delicado poema do Fernando Pessoa, heterônimo Alberto Caeiro, que é interpretado lindamente por Bethânia no dvd Maricotinha (dvd este que já vi umas mil vezes). Aos que paci6encia e tempo tiverem, não se arrependerão!

Mil beijos a todos!

Num meio-dia de Primavera
Tive um sonho como uma fotografia.
Vi Jesus Cristo descer à terra.
Veio pela encosta de um monte
Tornado outra vez menino,
A correr e a rolar-se pela erva
E a arrancar flores para as deitar fora
E a rir de modo a ouvir-se longe.

Tinha fugido do céu.
Era nosso demais para fingir
De segunda pessoa da Trindade.
No céu tudo era falso, tudo em desacordo
Com flores e árvores e pedras.
(...)
Um dia que Deus estava a dormir
E o Espirito Santo andava a voar,
Ele foi à caixa dos milagres e roubou três.
Com o primeiro fez com que ninguém soubesse que ele tinha fugido.
Com o segundo criou-se eternamente humano e menino.
Com o terceiro criou um Cristo eternamente na cruz
E deixou-o pregado na cruz que há no céu
E serve de modelo às outras.
Depois fugiu para o sol
E desceu no primeiro raio que apanhou.
Hoje vive na minha aldeia comigo.
É uma criança bonita de riso e natural.
Limpa o nariz ao braço direito,
Chapinha nas poças de água,
Colhe as flores e gosta delas e esquece-as.
Atira pedras aos burros,
Rouba a fruta dos pomares
E foge a chorar e a gritar dos cães.
E, porque sabe que elas não gostam
E porque toda a gente acha graça,
Corre atrás das raparigas
Que vão em ranchos pelas estradas
Com as bilhas às cabeças
E levanta-lhes as saias.

A mim ensinou-me tudo.
Ensinou-me a olhar para as coisas.
Aponta-me todas as coisas que há nas flores.
Mostra-me como as pedras são engraçadas
Quando agente as tem na mão
E olha devagar para elas.

(...)
Ele mora comigo na minha casa a meio do outeiro.
Ele é a Eterna Criança, o deus que faltava.
Ele é humano que é natural.
Ele é o divino que sorri e que brinca.
E por isso é que eu sei com toda a certeza
Que ele é o Menino Jesus verdadeiro.

E a criança tão humana que é divina
É a minha quotidiana vida de poeta,
E é por que ele anda sempre comigo que eu sou poeta sempre.
E que o meu mínimo olhar
Me enche de sensação,
E o mais pequeno som, seja do que for,
Parece falar comigo.


(...)
Damo-nos tão bem um com o outro
Na companhia de tudo
Que nunca pensamos um no outro,
Mas vivemos juntos e dois
Com um acordo íntimo
Como a mão direita e a esquerda.

Ao anoitecer brincamos as cinco pedrinhas
No degrau da porta de casa,
Graves como convém a um deus e a um poeta,
E como se cada pedra
Fosse todo o universo
E fosse por isso um grande perigo para ela
Deixá-la cair no chão.

Depois eu conto-lhe histórias das coisas só dos homens
E ele sorri porque tudo é incrível.
Ri dos reis e dos que não são reis,
E tem pena de ouvir falar das guerras,
E dos comércios, e dos navios
(...)
Depois ele adormece e eu deito-o.
Levo-o ao colo para dentro de casa
E deito-o, despindo lentamente
E como seguindo um ritual muito limpo
E todo materno até ele estar nu.

Ele dorme dentro da minha alma
E às vezes acorda de noite
E brinca com os meus sonhos.
Vira uns de pernas para o ar,
Põe uns em cima dos outros
E bate palmas sozinho
Sorrindo para o meu sono.

Quando eu morrer, filhinho,
Seja eu a criança, o mais pequeno.
Pega-me tu ao colo
E leva-me para dentro da tua casa.
Despe o meu ser cansado e humano
E deita-me na tua cama.
E conta-me histórias, caso eu acorde,
Para eu tornar a adormecer.
E dá-me sonhos teus para eu brincar
Até que nasça qualquer dia
Que tu sabes qual é.
Esta é a história do meu Menino Jesus.
Por que razão que se perceba
Não há-de ser ela mais verdadeira
Que tudo quanto os filósofos pensam
E tudo quanto as religiões ensinam ?

Alberto Caeiro

Escrito por Gi às 20h50
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

Ahhh essa cidade!

Em função do congestionamento na minha linha telefônica, as toneladas de correspondências recebidas, o entupimento da minha caixa de e-mails e os diversos pedidos nas ruas, eu resolvi postar novamente. Tudo bem pessoal, eu sou uma pessoa muito atarefada mas sempre encontro um tempinho para os meus milhares de fãs rsrs

E sem saber o que escrever resolvi falar um pouquinho sobre a minha cidade!

Andei pensando no Rio esses dias e vi o quanto é difícil descrevê-lo só em palavras, música ou qualquer forma de arte. Essa cidade, que parece que tem vida, e anda sozinha passeando pelos bairros mais inóspitos, pelas vielas mais estreitas, pelas ruas mais escuras e perigosas, corajosa segue sem ouvir o som dos tiros e sofre com o lamento das crianças de mãos estendidas a procura do que se possa caber nela que alimente ou atenue o sofrimento. Mas essa cidade não é só sofrimento.

É feita de luz e cor, de sorrisos brancos e pernas douradas, de abraços dos desconhecidos e de luas outras que não aquelas 4 que conhecemos. O Rio é uma morena alegre, que se equilibra entre a linha tênue do mar de Ipanema e a curva suntuosa da montanha que carrega cansada um Cristo de braços abertos. É um senhor idoso que entre cartas e lembranças sabe que gastou o que pôde da vida. E é ainda um criança de pés descalços, na terra batida, esperando o arremesso do escanteio para finalizar a pelada do dia com um gol histórico, ansiosa pra que o amanhã chegue logo e porque é decisão de campeonato.

Pra mim é isso o Rio, essa ciade que apesar dos pesares de mantêm viva, corada, colorida, alegre e encantadora. Amo essa cidade, amo os cariocas, amo o esprírito Rio, a alma Rio, o jeito Rio de ser. É é do nosso amor, de todos (ou quase todos), que ela sobrevive.

"É dessa cidade que sai minha alegria e meus melhores dias

É dela que me alimento de montanha

Me embriago de mar

Me encanto de gente

Me revigoro de samba

É ela que nunca hei de desamar

Sou sua devotada amante

Sua filha apaixonada

Sua mãe zelosa

Sua irmã admirada"

Escrito por Gi às 00h42
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

E voltei

E voltei, pra marcar território, deixar rastro na areia e gritar que ainda incomodo. Posto umas coisinhas, bobagens escritas por mim, um embaralhado de palavras que talvez faça sentido a alguém, achadas perdidas nessa máquina na qual escrevo. Acho tudo medíocre, como acho o mundo medíocre e nem por isso deixo de amá-lo e adimití-lo essencial. Sigo por aí comemorando minha derrota e lamentando meu sucesso. Qualquer hora eu volto...

E como sonho que tenho

você se revela em mim, cada momento

sua alma se subleva e

me traduz você por inteiro.

Como uma folha de papel

Onde nela consiste um poema de amor

Tão explícito que chega

a dar medo.

(2004)

___________________

As vezes acho certo o que achava errado

Um caco de vidro na ferida aberta do passado

Atentado pra alma, a solidão se revela

Se faz de propósito, não sei, nem me interessa

Despropósito seria fazer um poema para o acaso

Tão repentino e ingênuo que não cabe uma palavra

Que faça dele senhor dos meus versos

Por que a sua força é fraca

E seu poder devasso

(2005)

Escrito por Gi às 22h05
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Meu perfil

BRASIL, Sudeste, Mulher

Visitante número: